domingo, 27 de julho de 2003

PERTO DO FIM

Esta agonia que vive em mim,
Que fere, que mata,
Parece uma história sem fim
Vivida num bairro de lata.

Desejos, que feitos de dor
Se espalham ao vento,
Pois tantos são os gritos de amor.

As forças... roubadas
Por tantas asneiras vividas,
São águas passadas...
Fraquezas na pele sentidas.

De nada me vale esperar
Se nada depende de mim,
Não vais entender o olhar
De quem está perto do fim.

27/07/2003

quarta-feira, 21 de maio de 2003

MAR DE REVOLTA

Deixaste-me assim, aqui
Á deriva, á mercê do mundo
Que roda... roda e não quer parar
De cair num buraco sem fundo.

Como um desejo ardente
Sem forma palpável,
Que se dissipa no vento de um céu
Vermelho de raiva! Que raiva!

Ah, maldito desejo!
Que cai de joelhos em tudo que é lado!
Não! Não! Bendito desejo...
Que me faz sentir um grande tarado!

Levo estalada e chapada!
Sou castigado sem dó...
Por essa mão fria e gelada,
Que me atira p'ro canto, só...

Rebento por dentro e sei...
Que não mais verei este mar
Pleno de vida e revolta...
Onde um dia mergulhei,
E onde me sinto afogar...

21/05/2003

quarta-feira, 14 de maio de 2003

CERTEZA

De porta fechada, a mente
Divaga,
É um dilúvio de dor
Que me afaga.

Vinda do nada
Atravessa o tempo
e rouba o meu sonho...
E pergunto p'ra quê?
Nada... p'ra nada.

Porque jamais eu terei
Tudo o que ao longo da vida
Estraguei.

Mas o que ninguém me dará
É algo que um dia
Eu e tu encontramos, quiçá...

E nada é tão certo,
Nada é mais certo do que esta saudade,
Que destrói o momento
Que pode ser teu!
Que pode ser meu...

Porque esta saudade que vive aqui,
Respira a certeza
Que sente de ti.

14/05/2003

LADRÃO!

Rai’s partam a confusão
Que me persegue assim...
Não! Outra vez não!
Segundo não, segundo sim...

Tudo o que sinto é vontade
De parar e dizer... Vai!
Vai e começa a viver!

Leva contigo a emoção
De teres cometido um pecado
Como se fosses ladrão!

Um ladrão que te roubou
Tudo o que tinhas p'ra dar,
Pegou, tirou e levou
Sem conseguir parar...

Mas uma coisa é certa...
E se um dia sem querer
Deixares a porta aberta...

Este ladrão vai voltar!
Pr’a roubar toda a tristeza
Que um dia deixou ficar...

14/05/2003

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2000

SILÊNCIO

O momento leva-me...
E um grande vazio reflecte
A vontade de fugir.

Um conflito de gigantes
Em que alguém desprotegido
É levemente empurrado...

Um local sem luz nem vida
Por onde ando sem parar
Sem saber por onde ir.

E tento encontrar a voz
Que sempre me deu alegria...
Mas hoje ela não me guia.

E eu perco-me outra vez
Sem conseguir entender
Tudo o que a voz me dizia.

02/02/2000

quarta-feira, 29 de dezembro de 1999

JAMAIS

Meu anjo partiu...
Cá dentro ficou um mundo vazio
Uma criança perdida no frio.

Mas sempre que lembro aquele sorriso
O gelo derrete, e as gotas salgadas
Percorrem meu rosto!
Ah! Que gosto!

Recorda-me o agitado mar...
De emoções!
E aquele ardente luar
De segredos e canções!

E aqui estou, sentindo a falta
De algo em meu ser,
A parte de mim
Que jamais poderei esquecer!

29/12/1999

sexta-feira, 19 de novembro de 1999

ENCONTREI!

Mais do que um homem que anda á deriva,
Perdido no tempo, num canto da vida,
Sinto o olhar de quem me percorre,
E busco o amor que por mim escorre...

Desfeito em sentidos que rasgam meu ser,
Procuro quem ame e saiba querer,
Alguém como eu, que não seja mudo,
Que sinta a paixão acima de tudo!

E ao encontrar quem seja sincero,
Partilhe e entenda tudo o que quero,
O mundo irá perceber finalmente,
A força de amar alguém diferente!

19/11/1999

terça-feira, 28 de setembro de 1999

REENCONTRO

Perdido no meio da multidão
Senti a tua presença...
Nossos olhares cruzaram-se
Como alguém que procura...

Num instante, sensações e
Desejos tomam conta de nós,
Misturam-se numa forma única,
Num mar de emoções!

Parados no tempo, rodopiamos
Pelo espaço, flutuando...
Sentimos o que nunca imaginamos...
Um toque de magia!

Uma explosão de energia
Que desafia o mais forte dos deuses,
Que nos desgasta, nos une
Num momento único!

E empurra a nossa existência
Para um local inexplorado,
Onde ninguém irá ouvir
Os gritos de êxtase!

De quem se libertou dos sentidos...
De quem se tocou
No mais profundo sentimento,
E partilhou toda a sua essência...

28/09/1999

segunda-feira, 20 de setembro de 1999

DESEJO

Dou um grito mudo, de olhos fechados,
Que a alma sente, lá fundo, bem fundo.
Estou acordado...
Mas sinto que vejo a tua imagem,
Teu corpo sensual.

Teus olhos profundos penetram em mim,
Preciso olhar, preciso entrar,
Para te sentir, e fazer vibrar.

Tua boca desejo tocar e beijar,
Unir-me com ela...
Unir-me contigo em excitação,
Preciso de ter...

Parar e olhar, deixar-te tremer!
Voltar a entrar, fazer-te sofrer...
Sentir tua pele, a forma, o sabor!
Passar os meus dedos sem qualquer pudor.

Ficar acordado, quase adormecido,
Contigo deitada...
Ouvindo e sentindo os corpos cansados,
Mas nunca parados...
Querendo demais, sem estar saciados.

20/09/1999

NÃO QUERO SENTIR

A noite aparece... vou vaguear,
Sentir-me sozinho sem nada pensar,
A cidade já dorme, o mundo parou,
É tão bom sentir que nada mudou.

Vou indo sem rumo até me perder
P'la noite cerrada, sempre sem ver,
Estou á deriva e sinto-me bem,
Sempre na esperança de ir mais além...

Olho em volta, não sei onde estou,
Mas não tenho medo pois tudo parou,
Oiço alguém, não sei quem será...
Sei que ninguém me esperará.

O escuro começa a ganhar cor,
Nada me fez acabar com a dor,
E na próxima vez que puder sair,
Irei vaguear... sem querer sentir.

20/09/1999