Deixaste-me assim, aquiÁ deriva, á mercê do mundo
Que roda... roda e não quer parar
De cair num buraco sem fundo.
Como um desejo ardente
Sem forma palpável,
Que se dissipa no vento de um céu
Vermelho de raiva! Que raiva!
Ah, maldito desejo!
Que cai de joelhos em tudo que é lado!
Não! Não! Bendito desejo...
Que me faz sentir um grande tarado!
Levo estalada e chapada!
Sou castigado sem dó...
Por essa mão fria e gelada,
Que me atira p'ro canto, só...
Rebento por dentro e sei...
Que não mais verei este mar
Pleno de vida e revolta...
Onde um dia mergulhei,
E onde me sinto afogar...
21/05/2003

