quarta-feira, 21 de maio de 2003

MAR DE REVOLTA

Deixaste-me assim, aqui
Á deriva, á mercê do mundo
Que roda... roda e não quer parar
De cair num buraco sem fundo.

Como um desejo ardente
Sem forma palpável,
Que se dissipa no vento de um céu
Vermelho de raiva! Que raiva!

Ah, maldito desejo!
Que cai de joelhos em tudo que é lado!
Não! Não! Bendito desejo...
Que me faz sentir um grande tarado!

Levo estalada e chapada!
Sou castigado sem dó...
Por essa mão fria e gelada,
Que me atira p'ro canto, só...

Rebento por dentro e sei...
Que não mais verei este mar
Pleno de vida e revolta...
Onde um dia mergulhei,
E onde me sinto afogar...

21/05/2003

quarta-feira, 14 de maio de 2003

CERTEZA

De porta fechada, a mente
Divaga,
É um dilúvio de dor
Que me afaga.

Vinda do nada
Atravessa o tempo
e rouba o meu sonho...
E pergunto p'ra quê?
Nada... p'ra nada.

Porque jamais eu terei
Tudo o que ao longo da vida
Estraguei.

Mas o que ninguém me dará
É algo que um dia
Eu e tu encontramos, quiçá...

E nada é tão certo,
Nada é mais certo do que esta saudade,
Que destrói o momento
Que pode ser teu!
Que pode ser meu...

Porque esta saudade que vive aqui,
Respira a certeza
Que sente de ti.

14/05/2003

LADRÃO!

Rai’s partam a confusão
Que me persegue assim...
Não! Outra vez não!
Segundo não, segundo sim...

Tudo o que sinto é vontade
De parar e dizer... Vai!
Vai e começa a viver!

Leva contigo a emoção
De teres cometido um pecado
Como se fosses ladrão!

Um ladrão que te roubou
Tudo o que tinhas p'ra dar,
Pegou, tirou e levou
Sem conseguir parar...

Mas uma coisa é certa...
E se um dia sem querer
Deixares a porta aberta...

Este ladrão vai voltar!
Pr’a roubar toda a tristeza
Que um dia deixou ficar...

14/05/2003